segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Atualidades - Questões de Concursos Brasil 2015

01. No final de setembro a Presidente Dilma Rousseff anunciou durante a Conferência das Nações Unidas para a Agenda de Desenvolvimento Pós-2.015, as metas brasileiras para a redução da emissão de gases que provocam o efeito estufa, sendo na casa de:

a) 37% até 2.025 e 43% até 2.030.
b) 19% até 2.025 e 21% até 2.030.
c) 28% até 2.025 e 32% até 2.030.
d) 46% até 2.025 e 54% até 2.030.
e) 55% até 2.025 e 65% até 2.030.

02. Jim O'Neill é um economista inglês que ocupa atualmente o cargo de chefe de pesquisa em economia global do grupo financeiro Goldman Sachs, desde 2001. Ele é mais conhecido por ter criado o termo "BRIC" em um estudo de 2001, nomeado "Building Better Global Economic BRIC". Desde então, a sigla passou a ser amplamente usada como um símbolo da mudança no poder econômico global em relação ao mundo em desenvolvimento, distanciando-se das economias já desenvolvidas do G7 (Grupo dos Sete países mais ricos do mundo, criado em 1975, e que tem como objetivo coordenar a política econômica e monetária mundial). Assim, a BRICS tornou-se uma organização composta por cinco países, sendo que um deles foi admitido em abril de 2011, tendo sido, então, acrescentado o “S" no final da sigla. Os países que formam essa organização são:

a) Brasil, República Tcheca, Índia, Chile e Senegal.
b) Brasil, Romênia, Indonésia e Colômbia e Sérvia.
c) Brasil, Ruanda, Islândia e Costa do Marfim e Singapura.
d) Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
e) Brasil, Reino Unido, Israel e Cabo Verde e Somália.

03. Durante a 13ª fase da Operação Lava-Jato, obras de arte de artistas renomados foram encontradas na casa de alguns dos envolvidos na investigação coordenada pela Polícia Federal. Assinale a alternativa que indica o lugar para onde as obras apreendidas foram encaminhadas.

a) Museu Municipal de Arte (MuMA)
b) Museu de Arte Sacra (MASAC).
c) Museu Oscar Niemeyer (MON)
d) Museu de História Natural.
e) Museu do Expedicionário.


04. Brasil reduz emissão de CO2 em 52,3% e está perto de meta, diz IBGE.

RIO – O Brasil caminha para atingir a meta de redução da emissão de gases do efeito estufa, firmada voluntariamente há seis anos e apresentada na Conferência do Clima das Nações Unidas em 2009, indicam dados da 6a edição dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) 2015, divulgada nesta sexta-feira, 19, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A previsão é reduzir a emissão desses gases entre 36,1% e 38,9% até 2020, com base em valores de referência de 2005. Dez anos antes do prazo final, o País já havia reduzido 52,3% das emissões de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases do efeito estufa, mostra o levantamento do IBGE.

TOMAZELLI, Idiana; SALLOWICZ, Mariana. Brasil reduz emissão de CO2 em 52,3% e está perto de meta, diz IBGE. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 19 jun. 2015 Disponível em: . Acesso em: 8 jul. 2015

A redução das emissões de gás carbônico (CO2), no período indicado, foi consequência da diminuição da(o)

a) frota de veículos automotores
b) desmatamento florestal
c) produção de energia
d) atividade industrial

e) uso de biocombustíveis

05. Leia com atenção o trecho da notícia abaixo:
Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna do trecho acima:

a) a Casa da Moeda.
b) o Banco do Brasil.
c) o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
d) o Ministério da Fazenda.
e) o Banco Central.

06. O ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, foi preso preventivamente por policiais federais na madrugada desta quarta-feira (14.01.2015) ao desembarcar de Londres, no aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Cerveró foi diretor da área entre 2003 e 2008.
(http://www1.folha.uol.com.br. Acessado em 18.02.15. Adaptado)

Segundo a Justiça, há fortes indícios de que Cerveró esteja envolvido

a) no leilão do pré-sal que garantiu a participação de multinacionais como a Esso.
b) na compra da refinaria de Pasadena (EUA), que resultou em suposto prejuízo para a empresa.
c) na compra de equipamentos para exploração de petróleo do pré-sal sem as devidas licitações.
d) nos investimentos em poços de petróleo na Venezuela, em forte crise política desde 2014.
e) na intermediação na venda de ações da empresa para a concorrente estadunidense Chevron.

07. Na visita da presidenta Dilma Rousseff a Washington, o presidente Obama declarou que, para o seu governo, o Brasil é uma potência global, e não apenas regional.

a) Certo
b) Errado

08. Grande parte das nações indica apenas a meta na qual a autoridade monetária do país está mirando ao fixar os juros básicos. Outras estabelecem um intervalo de tolerância, [...], ao mesmo tempo em que sete países adotam o sistema igual ao do Brasil (meta central e intervalo de tolerância para cima e para baixo).

MARTELLO, A. Goveno fixa meta central de inflação... / Globo.com/G1, Brasília, 26 jun. 2015. Disponível em: http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/06/governo fixa-meta-central-de-inflacao...>. Acesso em: 13 ago. 2015. Adaptado.

O intervalo de tolerância da meta de inflação, adotado pelo governo para 2017, sofreu uma alteração em junho de 2015.

a) teto do intervalo de tolerância, de 6,5% ao ano para 6% ao ano.
b) piso do intervalo de tolerância, de 2,5% ao ano para 2% ao ano.
c) valor central do intervalo de tolerância, de 4,5% ao ano para 4% ao ano.
d) valor central do intervalo de tolerância, de 4,5% ao ano para 5% ao ano.
e) teto do intervalo de tolerância, de 6,5% ao ano para 7% ao ano.

09. A balança comercial brasileira registrou um déficit de US$ 3,930 bilhões no ano de 2014. É o pior resultado anual do comércio exterior brasileiro desde 1998. (http://www.valor.com.br. Acessado em 18.02.15. Adaptado) Segundo especialistas, o saldo negativo da balança comercial ocorreu, entre outros fatores, devido

a) ao corte das importações norte-americanas, como ocorreu com o México.
b) à desvalorização do preço de commodities, como o minério de ferro e a soja.
c) ao cenário internacional que promoveu as exportações de países africanos.
d) à concorrência comercial exercida pelos membros do Brics, como a Índia.
e) à substituição do Brasil pela China em mercados emergentes como a Argentina.

10. Recentemente, a Suprema Corte dos EUA declarou inconstitucionais as leis que proibiam o casamento entre pessoas do mesmo gênero em vários estados norte-americanos. No Brasil, o casamento entre pessoas do mesmo gênero ainda não é legalmente permitido.

a) Certo
b) Errado

11. Foi um esquema de pagamento de propina a parlamentares para que votassem a favor de projetos do governo. O esquema veio à tona no dia 6 de junho de 2005, por meio da publicação feita pelo jornal “Folha de São Paulo” de uma entrevista do deputado federal Roberto Jefferson, na qual ele revelava a existência do pagamento de propina para parlamentares. Após quatro meses e meio de julgamento, o STF decidiu pela condenação de 25 dos 38 réus do processo.
Assinale a alternativa que identifica o escândalo descrito no texto acima e que completou 10 anos em 2015.

a) Desmanche.
b) Anaconda.
c) Mensalão.
d) Lava-Jato
e) Zelotes.

12. A gestão municipal da cidade de São Paulo, iniciada em janeiro de 2013, incluiu em seu Programa de Metas onze itens relacionados à mobilidade urbana. O objetivo desse conjunto de metas é melhorar a mobilidade urbana universal, dando prioridade aos meios públicos de transportes e estimulando o uso da bicicleta. As medidas deverão gerar efeitos positivos na qualidade de vida dos paulistanos[...]

Implantação de ciclovias, faixas e corredores de ônibus: Nova visão para a mobilidade em São Paulo [on-line]. Programa Cidades Sustentáveis. Disponível em: . Acesso em: 9 jul. 2015 Adaptado.

Políticas públicas de mobilidade urbana que estimulam o uso da bicicleta têm sido levadas a cabo pela Prefeitura da maior cidade brasileira – apesar das inúmeras críticas, resistências e ações judiciais de que são alvo.
Esse tipo de política pública contribui, entre outras coisas, para promover a

a) redução dos custos de obras rodoviárias
b) redução da velocidade média dos ônibus
c) proibição da circulação de automóveis
d) diminuição da poluição atmosférica
e) ampliação dos tempos de deslocamento

13. Sobre o reajuste do preço do GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) ocorrido no final de setembro passado é INCORRETO afirmar:

a) A Petrobrás estima que o reajuste ao consumidor final seja na casa de 5%, uma vez que o impacto do aumento varia de acordo com sua destinação.
b) O preço do botijão de gás residencial de 13 quilos é tabelado em todo o território nacional.
c) A Petrobrás reajustou o preço do gás duas vezes no mês de setembro.
d) O percentual médio de aumento foi na casa de 11%
e) Segundo a Petrobrás, este realinhamento de preços não abrange o gás destinado ao uso residencial.

14. As previsões para o desempenho da economia brasileira neste ano e no próximo continuam se deteriorando. As cerca de cem instituições que consultadas para o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC), projetam uma queda maior para Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 [...] Quanto à inflação, os analistas consultados pelo BC aguardam uma alta de 9,23% para o IPCA neste calendário, acima da taxa estimada antes, de 9,15%.

CAPRIOLI, G. Mercado vê infl ação de 9,23% em 2015 e economia mais contraída. Valor Econômico, São Paulo, 27 jul. 2015. Disponível em: http://www.valor.com.br/brasil/4150608/mercado-ve-infl acao-de-923-em-2015-e-economia-mais-contraida>. Acesso em: 10 ago. 2015. Adaptado.

Nesse contexto, representa uma medida efetiva que poderá ser adotada para conter a alta inflacionária:

a) aumentar a taxa de juros básica da economia.
b) reduzir drasticamente os principais impostos federais, estaduais e municipais.
c) aumentar a emissão de papel moeda para honrar a folha de pagamento e os demais gastos do governo, visando a diminuir os depósitos à vista nos bancos.
d) aumentar a produção de bens na indústria.
e) aumentar o nível geral de preços da economia.

15. O Brasil conquistou o direito de sediar as Olimpíadas de 2016. Os mascotes dos Jogos Rio 2016 são:

a) Oba e Eba.
b) Zé Carioca e Louro José.
c) Fuleco e Tatu-bola.
d) Tiba Tuque e Esquindim.
e) Vinicius e Tom.


16. Leia com atenção trecho da notícia abaixo:

Qual foi o motivo desta condenação?
a) Maria do Rosário acusou Bolsonaro de incentivar a prática de estupros, ele empurrou-a e chamou-a de vagabunda, depois disse que só não a estupraria porque ela não merecia.
b) Maria do Rosário acusou Bolsonaro de ladrão e de receber propina de empreiteiras investigadas pela operação lava-jato, ele com o dedo em riste chamou-a de estelionatária, por responder a diversos processos de cobrança de dívidas em juízo.
c) Maria do Rosário afirmou em entrevista que Bolsonaro não estava em seu juízo normal, o Deputado não gostou do teor da matéria jornalística e invadiu o gabinete da Deputada aos gritos e só não a agrediu devido à intervenção de seguranças da Câmara.
d) Maria do Rosário chamou Bolsonaro de pedófilo e o acusou de acobertar uma rede internacional de criminosos, Bolsonaro baixou o nível com a Deputada utilizando palavras debaixo calão e os dois entraram em vias de fato em plena Câmara dos Deputados.
e) Maria do Rosário rotulou Bolsonaro como estelionatário e “ficha suja”, só estando na Câmara à custa de mandados de segurança, depois disso os dois quase chegaram à via de fatos e Bolsonaro prometeu delatar segredos da vida privada da Deputada nas redes sociais, promessa esta que cumpriu na semana seguinte.

17. Pesquisa do IBGE em 2012 revelou que a taxa de analfabetismo funcional noBrasil é de 18,3%, contabilizando 27,8 milhões de pessoas.
Sobre o analfabetismo funcional, é correto afirmar:

a) São consideradas analfabetas funcionais as pessoas que não têm acesso à tecnologia, por ser esta a principal forma de erradicação do analfabetismo funcional.
b) São consideradas analfabetas funcionais as pessoas que não concluíram o ensino fundamental.
c) São consideradas analfabetas funcionais as pessoas que não aprenderam a fazer uso de inovações tecnológicas como e–mail e facebook.
d) São consideradas analfabetas funcionais as pessoas que não conseguem interpretar textos e realizar operações matemáticas mais elaboradas.
e) São consideradas analfabetas funcionais as pessoas que não concluíram o ensino profissionalizante.

18. As drogas e seus impactos sobre a sociedade são objeto de constantes debates – seja quanto à legalização das drogas ilícitas, seja quanto às formas de restrição ao seu uso e publicidade das drogas lícitas. Neste contexto, houve uma importante mudança no Código Nacional de Trânsito em decorrência da “Lei Seca” (Lei n.11.705/2008 e nova redação dada a esta pela Lei n. 12.760/2012). Em relação à Lei Seca, assinale a opção incorreta.

a) O principal objetivo da lei é diminuir os acidentes de trânsito causados por motoristas embriagados.
b) Um fator que influenciou na mudança da redação original foi a polêmica quanto à obrigatoriedade do motorista se submeter ao teste do bafômetro.
c) A nova redação dada pela Lei n. 12.760/2012 determina que o motorista envolvido em acidente de trânsito ou que for alvo de fiscalização de trânsito poderá ser submetido a teste, exame clínico, ou outros procedimentos que permitam certificar cientificamente a influência de álcool.
d) A nova redação dada pela Lei n. 12.760/2012 admite a caracterização da infração mediante diferentes meios de prova, como imagem, vídeo ou outras maneiras de constatação de sinais que indiquem alteração da capacidade psicomotora.
e) A nova redação dada pela Lei n. 12.760/2012 manteve a concentração de álcool por litro de sangue definida na redação original para caracterizar a embriagues do motorista.

19. Na maior parte do Brasil o preço do etanol ficou muito próximo daquele da gasolina. Ao se considerar o maior poder calorífico da gasolina, apesar da maior taxa de compressão permitida pelo etanol, com os preços atuais deixou de ser compensador o uso desse último. Seu consumo tinha superado aquele da gasolina, mas retrocedeu recentemente. E, pior, a produção nacional caiu de modo que se importa uma parcela do etanol dos EUA, atualmente o maior produtor mundial do biocombustível.
O problema é que o etanol americano é feito de milho, que não dispõe de bagaço e obriga a queima de óleo combustível na destilação.

Revista Carta Capital. São Paulo: Ed. Confiança, edição especial, ano XIX, Nº 781, p.61.

De acordo com o que se depreende da leitura do texto, a importação de etanol dos EUA provoca

a) atraso nas construções de novas refinarias da Petrobras
b) aumento das tarifas de energia elétrica
c) aumento da emissão de dióxido de carbono na atmosfera
d) redução do consumo de gasolina no mercado interno
e) dificuldade de fluxo de caixa para investimentos do pré–sal

20. Com relação à aprovação pelo Supremo Tribunal Federal da lei que trata da reserva de vagas para negros nas universidades públicas, é correto afirmar:

a) Alguns ministros consideraram a lei inconstitucional, pois privilegia um grupo de cidadãos e desrespeita o princípio jurídico da igualdade, mas ela foi aprovada.

b) A confirmação da constitucionalidade da reserva de vagas para negros nas universidades públicas desagradou a muitas lideranças das comunidades negras, pois foi estabelecido um prazo de 7 anos para a implantação da lei.
c) As manifestações de apoio do Partido Democratas (DEM) foram decisivas para a tramitação e aprovação do projeto da lei de cotas no Congresso e para a manifestação acerca da sua constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal.
d) Os ministros foram unânimes em considerar que as políticas de cotas raciais são constitucionais devido à desigualdade social promovida por mais de 350 anos de escravidão e pela herança que deixou.
e) A aprovação da lei que reserva vagas para afrodescendentes estimulou as lideranças indígenas a reivindicar as mesmas condições, pois afirmam que também sofreram com a escravidão do passado.

Gabarito 
01. A 02. D 03. C 04. B 05. E 06. B 07. A 08. A 09. B 10. B 11. C 12. D 13. B 14. A 15. E 16. A 17. D 18. E 19. C 20. D 


Material utilizado nas turmas do concurso da Caesa / Curso Mérito /Manhã /Padre Júlio e Zona Norte


Atualidades - Como bairro em Bruxelas virou 'celeiro de terrorismo' na Europa

Policial vigia rua durante operação para deter suspeitos de envolvimento em ataque em Paris no bairro de Molenbeek em Bruxelas
Após a confirmação de que dois extremistas suicidas teriam vivido em Bruxelas e a emissão de um mandado de prisão contra um terceiro suspeito, nascido na Bélgica, as investigações sobre os atentados de Paris se voltam cada vez mais para o país vizinho.
Não é a primeira vez que investigações de ataques extremistas levam a esse pequeno país de 11 milhões de habitantes, localizado entre a França, a Holanda e a Alemanha.
E mais precisamente ao bairro de Molenbeek-Saint-Jean, em Bruxelas, onde sete pessoas foram detidas durante o fim de semana sob suspeita de terem ligação com os atentados que deixaram pelo menos 129 mortos e 350 feridos em Paris.
"Quase sempre há um vínculo com Molenbeek. Temos um problema gigantesco no bairro", disse o primeiro-ministro belga, Charles Michel, em entrevista à televisão VTM, no domingo.

'Ninho de terroristas'

O mais conhecido cidadão de Molenbeek é Abdelhamid Abaaoud, um belgo-marroquino que está há cerca de dois anos na Síria e ficou conhecido ao aparecer em uma série de fotos sorrindo, ao volante de uma caminhonete carregada de cadáveres.
Abaaoud é considerado o líder de uma célula de terrorismo desmembrada em janeiro na cidade de Verviers, e, segundo a imprensa belga - citando fontes da Procuradoria -, suspeita-se que ele teria planejado os atentados de Paris.
Mas a lista de autores de atentados que passaram pelo bairro é longa. O ministro do Interior, o nacionalista flamengo Jan Jambon, qualificou o local de "ninho de terroristas" no domingo.
O marroquino Ayoub El-Khazzani, suspeito de tentar cometer um atentado em um trem que ligava Amsterdã a Paris em agosto, embarcou no veículo em uma estação de Bruxelas, depois de ter passado semanas em Molenbeek.
Também passaram pelo bairro o francês Mehdi Nemmouche, autor do atentado ao Museu Judaico de Bruxelas, em maio de 2014, e Hassan El Haski, um dos cérebros dos atentados de 2004 em Madri, reivindicado pela Al-Qaeda.
Bairro tem grande concentração populacional

Conexão síria

A subprefeita de Molenbeek, Françoise Schepmans, admite que o bairro seja uma espécie de centro de operações de redes de terrorismo.
Schepmans acredita que a alta densidade populacional de Molenbeek - 97 mil habitantes em menos de 6 quilômetros quadrados -, somada ao fato de que 80% dos habitantes é de origem árabe, facilita o anonimato para criminosos que "na maior parte do tempo estão só de passagem".
Para Claude Moniquet, cofundador do Centro Europeu de Inteligência Estratégica e Segurança, os fatos mais recentes estão diretamente relacionados ao número de habitantes do bairro que se uniram aos combatentes islamistas na Síria - apesar de não haver ainda uma cifra exata.
O ministério de Justiça da Bélgica estima que entre 500 e 800 belgas se envolveram no conflito sírio, o que faz do país o principal fornecedor de combatentes europeus em relação a sua população.
Bélgica é principal fornecedora de combatentes estrangeiros para o 'EI' em relação à população
Um deles era Brian de Mulder, belga filho de uma brasileira, que se somou ao conflito sírio antes da criação do Estado Islâmico, depois de uma rápida radicalização em contato com o grupo extremista Sharia4Belgium.
Acredita-se que o jovem tenha sido morto durante um bombardeio na Síria em 23 de outubro, aos 22 anos.
Não se sabe, por enquanto, se dois homens-bomba de Paris que viviam em Molenbeek - Ibrahim Abdeslam e Bilal Hadfi - eram membros de Sharia4Belgium, considerado o principal recrutador de combatentes belgas para grupos extremistas na Síria.
Mas a Procuradoria da Bélgica confirmou que eles estavam entre os cerca de 120 belgas que lutaram na Síria e voltaram ao país.
Essas pessoas são potenciais aliados em projetos de ataques na Europa, observa Moniquet.

Pobreza

Segundo o ministro Jambon, o número de belgas que viajam à Síria têm diminuído na maioria das cidades desde o início do fenômeno, em 2012.
No entanto, em Molenbeek, as estratégias de "desradicalização" adotadas pelo governo não têm dado resultado e "as pessoas continuam a partir".
"O bairro está fora de controle. Vemos que várias células (jihadistas) estão presentes em Molenbeek", afirmou no domingo, em Paris, prometendo um novo plano de ação específico para o bairro.
O cientista político Dave Sinardet, da Universidade Livre de Bruxelas (VUB), afirma que a composição social do bairro também contribui para torná-lo um terreno fértil para a radicalização.
Para cientistas políticos, fato de bairro ser jovem e pobre ajuda a explicar radicalização
"É um dos bairros mais pobres e mais jovens do país, com um alto nível de desemprego", observou.
Diferente da parte flamenga da Bélgica, Bruxelas não obrigou seus imigrantes a falar o idioma local ou a integrar-se e facilita até hoje a preservação de costumes dos países de origem.
Esse modelo, elogiado nos anos 70, durante a prosperidade industrial de Molenbeek e o auge da imigração árabe, está sendo agora apontado por muitos políticos como o responsável por ter convertido o bairro em um "gueto" problemático desde a decadência econômica dos anos 90.
O ex-subprefeito de Molenbeek, o socialista Philippe Moureaux, tornou-se alvo de críticas por ter permitido a abertura de 22 mesquitas, muitas delas financiadas pela Arábia Saudita, durante sua gestão, encerrada há três anos.

Armas

Bruxelas também é apontada como um centro do tráfico de armas na Europa, porta de entrada de um grande volume de material desmilitarizado procedente dos países da antiga Iugoslávia.
Essas armas, destinadas a colecionadores ou filmagens, em geral foram manipuladas para não atirarem mais. Mas ela são reabilitadas por uma rede criminosa na Bélgica e voltam a circular ilegalmente.
A proximidade de várias fronteiras internacionais facilita o fluxo desse equipamento.
As investigações dos atentados de Paris de janeiro - contra o jornal satírico Charlie Hebdo e um supermercado judaico - revelaram que parte do arsenal utilizado nessa série de atentados teria sido adquirido em Bruxelas.
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151116_belgica_atentado_lab

sábado, 14 de novembro de 2015

Atualidades - Ataques em Paris: 'Estado Islâmico' assume autoria


O grupo autodenominado 'Estado Islâmico' reivindicou a autoria dos atentados em Paris que deixaram ao menos 127 mortos e outros 180 feridos, e disse que eles foram uma resposta aos ataques franceses em seu território.
Os ataques quase simultâneos atingiram seis locais em Paris na sexta-feira à noite - bares e restaurantes movimentados, um show de uma banda americana e a região próxima a um estádio onde era realizado um jogo de futebol amistoso entre França e Alemanha.
Em comunicado, o 'Estado Islâmico' disse que seus combatentes "estudaram cuidadosamente" os locais onde foram realizados os ataques, segundo a Reuters. Relatos apontaram que oito homens-bomba e atiradores realizaram as ações. Todos morreram. Não se sabe se outros cúmplices estão foragidos.
Foi o pior ataque na Europa desde os atentados em Madri, em 2004, e o mais violento na França desde a Segunda Guerra Mundial.
Mais cedo, o presidente francês, François Hollande, havia responsabilizado o 'Estado Islâmico' pelos ataques, e os chamou de "ato de guerra". Ele prometeu uma guerra "impiedosa" contra terroristas.
Hollande disse que as ações foram planejadas e organizadas no exterior, com participação de células na França. O presidente elevou o nível de ameaça à segurança ao patamar mais alto, decretou estado de emergência e reforçou o controle de fronteiras do país.
O estado de emergência permite às autoridades fechar espaços públicos, impor toque de recolher e restrições à circulação de veículos e pessoas.
Moradores de Paris foram ordenados a permanecer fora das ruas e cerca de 1.500 militares foram deslocados para a cidade.
Todas as escolas, museus, bibliotecas, piscinas e mercados ficarão fechados neste sábado. Eventos esportivos também foram suspensos em Paris.

Locais atacados

- Bar La Belle Equipe, 11º distrito: ao menos 19 mortos em ataques a tiros
- Bar Le Carillon e restaurante Le Petit Cambodge, 10º distrito, homens atiraram em pessoas que estavam nos dois locais (entre eles dois brasileiros que estão fora de perigo) e deixaram ao menos 14 mortos
- Restaurante La Casa Nostra, 11º distrito: ao menos 5 mortos em ataques a tiros
- Estádio Stade de France, norte de Paris: explosões ouvidos de dentro do estádio, 3 autores mortos
- Casa de espetáculos Bataclan, 11º distrito: homens armados invadiram o local, ao menos 80 mortos

 

Sequência dos ataques

21h20: Primeiros ataques foram reportados em áreas boêmias não distantes da Place de La Republique, uma das principais da cidade e palco frequente de manifestações políticas e populares.

21h30: Enquanto a seleção do país jogava contra a Alemanha no estádio Stade de France, no norte da cidade, a primeira de ao menos duas explosões foi ouvida. O presidente francês, que assistia à partida, foi retirado do local às pressas.
Segundo relatos ainda não confirmados, houve a ação de ao menos um homem-bomba e ataques a tiros em restaurantes nos arredores da arena.
Após a partida, torcedores ficaram no gramado à espera de informações. Nos túneis, os jogadores das duas seleções assistiam aos desdobramentos da tragédia pela cidade – os alemães permaneceram no local pelo menos até as 2h30.

21:50: Disparos foram registrados em um café ao sul do local onde ocorreram os primeiros atentados. Segundo uma testemunha, dois homens abriram fogo no café.

22:00: A casa de shows Bataclan se tornou palco do pior ataque. Com 1.500 lugares, o espaço estava com todos os ingressos vendidos para a apresentação da banda de rock norte-americana Eagles of Death Metal.
Homens com armas automáticas abriram fogo contra a plateia e fizeram reféns. Duas horas depois, a polícia invadiu o local. Cerca de 80 pessoas morreram.

Fonte: BBC Brasil

domingo, 8 de novembro de 2015

Atualidades - Estudos demonstram a importância dos indígenas na manutenção de florestas

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) lançou estudo que demonstra a relação dos indígenas com as florestas, os serviços ambientais e o clima. A pesquisa começou em 2013, quando o instituto dialogando com a agência alemã, GIZ, e com apoio da Embaixada Real da Noruega, iniciou o levantamento de dados de precipitação e desmatamento na região. O estudo demonstrou a importância dos povos indígenas quanto a barreira de desmatamento e quanto ao estoque de carbono nas áreas protegidas por esses povos.
De acordo com a pesquisadora do Núcleo Indígena do Ipam e uma das organizadoras dos estudos lançados, Fernanda Bertolotto, as análises dos dados de satélites e pluviométricos interferem diretamente em todas as terras indígenas: “a pesquisa manteve-se mais intensa na região do Parque Indígena do Xingu. Conseguimos dados mais locais, que demonstraram a importância dessas grandes áreas de florestas protegidas pelos povos indígenas, para a manutenção da temperatura e do regime pluviométrico”, ou seja, os resultados dos estudos demonstraram como as áreas de floresta amazônica contribuem para o equilíbrio do clima.
Segundo a pesquisadora, no período de 2000 a 2014, a taxa de desmatamento nas terras indígenas foi de 2% e as áreas, ao redor, que não são protegidas, foi mais de 19%, correlacionando a importância das áreas protegidas para a manutenção de grandes estoques de floresta. Esse desmatamento, também influenciou em outro fator, como a frequência das anomalias de secas ocorridas na Amazônia. Entre 2000 e 2012, mais de 50% do território indígena foi afetado direta ou indiretamente por essas anomalias, podendo levar a impactos na segurança alimentar desses povos, além de maiores incidência de incêndios florestais.
“Com esses estudos, conseguimos demonstrar que a demarcação das terras indígenas, além de ser um direito dos povos indígenas, não só da Amazônia, mas de todo o Brasil, pode ser uma estratégia para a redução do desmatamento e mitigação aos novos impactos das mudanças climáticas, que traz benefícios para a população em geral”, afirma a pesquisadora.
Fernanda Bertolotto explica o objetivo desses estudos: “esperamos que com esses dados, consigamos influenciar que os povos indígenas não fiquem a reboque nas discussões das políticas públicas que estão sendo implementadas, para a redução do desmatamento. Desejamos também, com esses estudos, que demonstrando a importância dos povos indígenas para esses territórios, a gente consiga fortalecer a implementação da Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial Indígena, direcionada para ações de diretrizes para a gestão territorial”.
O Amazônia Brasileira conversou com a pesquisadora do Núcleo Indígena do Ipam e uma das organizadoras dos estudos lançados, Fernanda Bertolotto, que explicou a importância da manutenção das áreas de floresta amazônica para o equilíbrio do clima.
http://www.ebc.com.br/noticias/meio-ambiente/2015/11/estudos-demonstram-importancia-dos-indigenas-na-manutencao-de

sábado, 7 de novembro de 2015

Atualidades - Entenda a COP 21 e as disputas em jogo

Em dezembro, em Paris, os 196 integrantes da ONU vão tentar chegar a um consenso sobre como lidar com as mudanças climáticas.
A falta de vontade política dos países membros da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), em especial os países desenvolvidos, para enfrentar seriamente os problemas provocadores e provenientes da crise climática, fez com que depois de mais de duas décadas de negociações pouco tenha sido feito. Em dezembro deste ano, nos arredores de Paris, os 196 países membros irão se reunir na busca por um consenso sobre qual será o rumo que a Convenção de clima irá tomar e buscarão assinar um novo acordo global, que possa substituir o esvaziado e combalido Protocolo de Kyoto, único instrumento legal da Convenção.
Para entender a próxima Conferência das Partes (COP), elenquei 21 temas principais sobre o que está em jogo nas negociações oficiais e na preparação das mobilizações da sociedade civil.
1 - Multilateralismo: A reafirmação do multilateralismo ou não como espaço coletivo de tomada de decisões sobre um tema que atravessa fronteiras físicas e atmosféricas é o pano de fundo das negociações. Para alguns países como o Brasil, se a conferência resultar em um acordo global mesmo que fraco, significa salvar o espaço multilateral expresso pela UNFCCC.
2 - Plataforma de Durban (ADP): É o trilho de negociação estabelecido em 2011 durante a COP 17, realizada em Durban. Seu mandato é elaborar os elementos para a criação de um novo instrumento jurídico vinculante, que poderá ser um novo protocolo ou não, que sob a Convenção será aplicável a todas as partes. O mandato da ADP se completa na COP 21.
3 - Workstreams 1 e 2: O primeiro diz respeito ao conteúdo do novo acordo de clima, que entraria em vigor a partir de 2020; e o segundo é relativo a ambição que o país membro tem para implementar ações no período de 2015-2020, denominado pré-2020.
4 - Chamada de Lima para Ação Climática: Documento final da COP 20 pouco ambicioso e vago, determina que as partes devem descrever de forma clara suas INDCs, ver abaixo. Destaque para a reafirmação do princípio das responsabilidades comuns porém diferenciadas, e de que os países desenvolvidos devem ter obrigações em financiamento, capacitação e transferência de tecnologias para os países em desenvolvimento.
5 - INDCs: São Contribuições Intencionais Nacionalmente Determinadas (sigla em inglês), que definem quanto, como e quando os países irão reduzir suas emissões. Muitos países estão realizando processos de consultas nacionais sobre o tema, como foi o caso do Brasil cujo resultado ainda não foi disponibilizado. É o esqueleto do novo acordo.
6 - Rascunho Zero: Texto base de negociação para o que será acordado em Paris, cuja última versão datada de fevereiro, contém 109 páginas e 221 artigos que incorporam as diversas opções sobre a mesa. O texto inclui os temas mitigação, adaptação, financiamento, transferência de tecnologia, capacitação e transparência para ações e para o apoio.
7 - Princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas e suas respectivas capacidades: Consta no preâmbulo da Convenção Quadro e foi materializado pela divisão de compromissos entre as partes do Protocolo de Kyoto, mas vem sendo ameaçado. Estabelece que todos os países devem dividir entre si os custos das ações de redução de emissões, cabendo aos países desenvolvidos assumirem as primeiras medidas, uma vez que historicamente contribuíram mais para as emissões e apresentam maior capacidade econômica para suportar tais custos e provir recursos financeiros para o enfrentamento do problema pelos países em desenvolvimento.
8 - Diferenciação concêntrica: proposta brasileira feita na COP 20 e que ganha espaço nas negociações, “na qual os países se distribuiriam em bandas de compromisso, com possibilidade de transição de uma zona para a outra dependendo do contexto e das capacidades correntes de cada país”. Tende a atender tanto o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, quanto à demanda dos países desenvolvidos para que os países emergentes também assumam compromissos.
9 - Mitigação e adaptação: muitos países defendem que o acordo deve ter equilíbrio entre os dois temas e não focar só na redução das emissões (mitigação), como vem acontecendo no histórico de decisões das COPs.
10 - Sem perdas líquidas (No net loss): Tema preocupante que implica a compensação das emissões (offseting), significando que o mundo possa continuar emitindo gases de efeito estufa (GEE) desde que exista uma forma de os "compensar". Assim, ao invés de tomar medidas concretas de redução das emissões, poderão continuar emitindo enormes quantidades de CO2 e, ao mesmo tempo, alegar que estão combatendo as mudanças climáticas por meio do "apoio" ao desenvolvimento da tecnologia CCS (captura e estoque de carbono)
11 - Novos mecanismos de mercado: Outro tema de grande preocupação, em especial, motivada pelas críticas em relação a falta de efetividade destes tipos de mecanismos no enfrentamento da crise climática, como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Estas críticas também são relativas aos impactos que estes projetos geram nos territórios, cuja inviabilização é latente por não serem consideradas na avaliação da efetividade dos mesmos, que se concentram apenas no item redução de GEE.
12 - Fundo Verde do Clima e financiamento: Apesar de ter sido aprovado em 2010, na COP 16, em Cancun, e estabelecer dois mecanismos de financiamento: um de curto prazo chamado fast start (2011-2013) que nunca saiu do papel; e outro que tinha o objetivo de atingir US$ 100 bilhões anuais de 2013 a 2020; o Fundo começou a receber recursos somente no ano passado, quando arrecadou pouco mais de US$ 10 bilhões provenientes de 29 países, entre desenvolvidos e em desenvolvimento.
13 - REDD+: A discussão principal é se entra ou não mecanismos de mercado para o financiamento da Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD+). O Brasil vem sendo categórico em suas afirmações contrárias ao mercado em REDD+, tendo apoio de organizações e movimentos sociais como os reunidos no Grupo Carta de Belém, que vem rebatendo a abordagem REDD+ por entender, entre outras críticas, que incluir mercado de carbono no financiamento dos projetos é incluir a compensação de emissões.
14 - Bioenergia e CCS: é o garoto-propaganda da nova abordagem de no net loss. Denominado BECCS nas negociações, envolve o plantio de uma enorme quantidade de grama e monocultivo de árvores para queima de biomassa com fins de geração de eletricidade, capturando o CO2 emitido e bombeando para reservatórios geológicos subterrâneos.
15 - Uso da terra: tema forte na negociação na qual vem se fortalecendo a abordagem em ‘escala de paisagem’ (landscape approach), que seria a integração entre florestas e produção agropecuária. O uso da terra entra intensamente na agenda de mitigação, mas também em adaptação. Ainda sobre este tema, existem os chamados co-benefícios, que estão relacionados a questões sociais e também a proteção da biodiversidade.
16 - Agricultura climaticamente inteligente (CSA): agricultura que aumenta a produtividade com resiliência (adaptação), ao mesmo tempo em que sequestra gases de GEE sem efetivamente reduzi-los, já que os créditos de redução seriam vendidos para outros locais poderem continuar emitindo. As formas de financiamento seriam por meio damedição e mercantilização do carbono do solo. Existe pressão para que a CSA entre no novo acordo, especialmente por parte da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e do Banco Mundial.
17 - Mecanismo de perdas e danos: Criado na COP19, busca o enfrentamento dos eventos extremos e é visto com bons olhos pela sociedade civil e pelos países em desenvolvimento por tratar com mais importância um tema fundamental para adaptação. No entanto, não discute ainda o tema financiamento, nem se incorpora diretamente ao tema adaptação no rascunho proposto. Além disso, há preocupação que as agências de avaliação de risco, que na verdade são grandes seguradoras, possam transformar o mecanismo em mais uma falsa solução ao enfrentamento da crise climática, trazendo mais dificuldades para que os países afetados possam acessar os possíveis recursos.
18 - Cúpulas dos Povos: Como espaço autônomo das organizações e movimentos sociais, ocupa um papel importante na construção de processos e na busca de sínteses, ainda que estas últimas possam ser melhor aproveitadas. A Cúpula de Lima foi importante para a América Latina, no sentido de reaproximar em sua preparação grandes forças sociais da região, ao formalizar um Grupo de Enlace regional, que pretende continuar trabalhando junto rumo a Paris e além.
19 - Mobilizações da sociedade civil global para a COP 21: organizações sociais reunidas na Coalizão Francesa começaram desde o ano passado a se mobilizar para organizar atividades durante o período da COP 21. Na semana passada, foi realizada reunião internacional de preparação, na Tunísia, onde organizações de fora da Europa puderam participar e entender melhor o processo. O grande desafio é construir um caminho que possa ter cara própria e posicionamentos firmes, ao mesmo tempo em que envolva uma gama diversa de organizações sociais que têm posições políticas bastante distintas em relação às grandes questões ligadas às mudanças climáticas, entre elas, o debate sobre soluções de mercado e se querem ou não um novo acordo global sobre clima.
20 - Calendário internacional rumo a Paris: 30 e 31 de Maio e 26 e 27 de setembro, mobilizações em toda Europa; 28 e 29 de novembro, mobilizações de massa incluindo marchas e flash mobs; de 06 a 11 de dezembro, espaço de debates da sociedade civil e mobilizações descentralizadas; 12 de dezembro, mobilização e ações diretas em Paris. Em relação ao calendário oficial das negociações, há três reuniões previstas até a COP: 1 a 11 de junho, em Bonn (Alemanha); 31 agosto a 04 de setembro, em Bonn; 19 a 23 de outubro, em Bonn.
21 - Construção de novas narrativas: Parte da sociedade civil global que se aglutina nos últimos oito anos em torno da bandeira da justiça climática está construindo novas narrativas que possam, por um lado, ampliar o escopo de atuação para além do tema mudanças climáticas, e por outro, caminhar para um processo de construção de plataformas e de movimento frente à fragmentação que a sociedade civil atravessa. Resta saber se novas formas de mobilização popular via redes sociais e atos coreografados, muitas vezes esvaziados de conteúdo político, não vão atrapalhar mais do que ajudar o processo. Há sempre risco.
Por fim, neste momento, talvez a UNFCCC e o movimento por justiça climática tenham pelo menos uma coisa em comum: a necessidade de sair da inércia. Se pelo lado oficial a COP 21 será importante para salvar ou não o multilateralismo, por correr o risco do acordo não ser nada mais que um sistema baseado em promessas longe de se comprometer com o limite dos 2ºC; por parte das organizações e movimentos sociais talvez esta seja a última COP de clima com grande mobilização nas ruas. Por isso a agenda parisiense é tão relevante, para que possa trazer ânimo e força, criando espaços de convergência e propostas concretas que deem continuidade às sínteses, ao mesmo tempo em que pavimentem caminhos futuros.
*Maureen Santos é integrante do Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais/GRRI, coordenadora do Programa de Justiça Socioambiental da Fundação Heinrich Böll Brasil e professora da graduação do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio.
http://www.cartacapital.com.br/blogs/blog-do-grri/entenda-a-cop-21-e-as-disputas-em-jogo-5188.html