segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Oficinão de Atualidades p concurso da CAESA

OFICINÃO DE ATUALIDADES PARA O CONCURSO DA CAESA
Professores: ANDLÉ / NILSON / RODRIGO BANDEIRA
Dia: 01 / 11 (Domingo)
Hora: 9h às 13h (5h de aula)
Local: Colégio Amapaense
R$ 15,00
CONTATOS: 981197260
PARTICIPE!!!

Atualidades - Tensões na América do Sul: Instabilidade nas fronteiras da Venezuela e acordo de paz na Colômbia

A América do Sul está distante dos principais conflitos do mundo hoje. Próximos ao Brasil, pequenos conflitos vão ganhando dimensão e provocam alertas e reflexões nos extremos do continente.

Colômbia: trégua entre o governo e as Farc

Na Colômbia, um acordo histórico está prestes a ser selado. Desde o primeiro semestre de 2015, o governo colombiano e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) deram início a uma série de tratativas buscando um processo de paz definitivo. 
O acordo está sendo costurado em Havana (Cuba), com intermédio do presidente cubano, Raúl Castro e por representantes das Nações Unidas. As negociações deverão se estender até março de 2016.
O presidente colombiano Juan Manuel Santos determinou a suspensão de bombardeios contra os guerrilheiros e a realização de um plebiscito com a população para legitimar o acordo. Já o líder das Farc, Timoleón Jiménez, protocolou o cessar-fogo e afirmou que as unidades começarão a se desarmar 60 dias depois da assinatura do documento final. Em breve, as Farc deverão se tornar um movimento político legalizado.
As Farc existem há 50 anos e defendem a implantação do socialismo no país. Os embates envolvendo o governo e os rebeldes representam o mais longo conflito armado no hemisfério e provocaram 220 mil mortes e seis milhões de refugiados.
A agenda do acordo conta com a negociação de diversos pontos como a contenção do comércio de drogas envolvendo a guerrilha (boa parte do financiamento das Farcs vem do plantio e comercialização da coca), o julgamento de crimes de guerra, a retirada de minas e novas medidas de reforma agrária.
As duas partes acertaram uma "ampla anistia" após o fim do conflito, que perdoaria o delito político, excluindo os crimes contra a humanidade. Será criada na Colômbia uma jurisdição especial que contará com um tribunal que deve promover a reparação das vítimas e julgar e impor penas aos responsáveis pelos crimes graves cometidos durante os anos de conflito.
O governo colombiano e as Farc já realizaram negociações de paz anteriormente, a última no fim dos anos 1990 e começo dos 2000, mas terminaram em fracasso e as hostilidades foram retomadas. O atual acordo foi iniciado formalmente em novembro de 2012.

Venezuela: tensão interna e brigas diplomáticas com os vizinhos

Em agosto de 2015, uma emboscada feriu alguns militares venezuelanos que patrulhavam a região de fronteira com a Colômbia na tentativa de evitar o contrabando de alimentos e combustíveis. Três militares venezuelanos ficaram feridos.
Como resposta, mil colombianos que viviam ilegalmente no país vizinho foram deportados pelo governo do presidente Nicolás Maduro, que chegou a fechar parte da divisa e a decretar estado de exceção nos municípios da região. O presidente afirmou que estava evitando a ação de milicianos envolvidos no contrabando e no narcotráfico.
A expulsão em massa e o fechamento da fronteira agravaram as relações entre Colômbia e Venezuela. O pior cenário seria a possibilidade de um confronto armado nos limites entre os países.
E o que estaria por trás dessa ação? Ainda é cedo para ter respostas. Segundo declarações do presidente colombiano Juan Manuel Santos, as ações de Maduro têm motivação de natureza de política interna.
Para ele, um possível conflito armado poderia melhorar a popularidade do governo antes das eleições legislativas marcadas para dezembro, ou mesmo de suspender estas eleições sob o pretexto de conflito externo. Este mês, a Venezuela esfriou a tensão e adotou um tom conciliador, autorizando o retorno dos deportados e a abertura das fronteiras.
Maduro também elevou o tom de voz com outro vizinho, a Guiana. Em julho, o presidente venezuelano reivindicou a soberania da região do Essequibo. A disputa pelo território situado em dois terços do solo guianense é antiga e remonta ao final do século 19, quando a fronteira entre os dois países foi delimitada.
O presidente da Guiana, David Granger, reclamou que seu país está sendo alvo de provocações e afirma que a questão já foi resolvida no século 19. Para ele, o que estaria por trás do atual interesse da Venezuela são as recentes descobertas de grandes jazidas de petróleo e recursos naturais na região. Granger busca apoio do Brasil e do Tribunal de Haia para mediar o conflito.
Já a Venezuela sempre considerou a região “em disputa” e o pediu apoio das Nações Unidas. Seu argumento é baseado no Acordo de Genebra, de 17 de fevereiro de 1966, subsequente à independência da Guiana, segundo o qual a região ainda está “por negociar”. Para pressionar, o governo venezuelano suspendeu o intercâmbio de petróleo por arroz com o país, afetando a economia guianesa.

Crise econômica e protestos na Venezuela

Maduro é herdeiro político direto do presidente Hugo Chávez, que assumiu a Presidência da República em 1999 e faleceu em 2013. Desde que subiu ao poder, o atual presidente enfrenta uma grave crise econômica, provocada pela queda dos preços do petróleo e de uma política econômica instável.
O arrocho econômico aumentou a insatisfação da população e o apoio à oposição. O governo tem sido alvo de recentes protestos contra a inflação, o aumento da criminalidade, a escassez de produtos nos mercados e a prisão de universitários oposicionistas. Segundo pesquisas, com a baixa popularidade de Maduro, a oposição tem chances reais de ganhar a maioria legislativa nas eleições de dezembro.
O momento mais dramático ocorreu em setembro, com a prisão do líder opositor Leopoldo López. Ele foi julgado e condenado a quase 14 anos de prisão por incitar a violência nos protestos contra o governo. As acusações incluem "incitação pública, danos à propriedade, incêndio e formação de quadrilha" nos protestos que deixaram 43 mortos entre fevereiro e maio de 2014.
López era a principal liderança da oposição e, segundo o governo, faz parte de um grupo que tenta dar um golpe de Estado no país. Representantes de organizações de direitos humanos, com a Anistia Internacional, alegam que houve abuso de poder no julgamento e que não existem evidências que justifiquem a detenção de Leopoldo López. Países membros do Mercosul silenciaram em relação à questão.

O imbróglio das Ilhas Malvinas

O conflito histórico entre o Reino Unido e a Argentina pelas Ilhas Malvinas ganhou um novo episódio esse ano. Em abril, a Argentina decidiu recorrer aos tribunais com uma denúncia penal para tentar impedir as prospecções que cinco petroleiras, três delas britânicas, estão realizando a cerca de 200 quilômetros dessas pequenas ilhas. Segundo o governo argentino, as empresas estariam realizando explorações ilegais de hidrocarbonetos em sua plataforma continental.
A Grã-Bretanha ocupa e administra as ilhas desde 1883, mas a Argentina sempre questionou a soberania britânica de um território que antes era argentino. A Guerra das Malvinas foi um conflito entre Grã-Bretanha e Argentina em 1982 pelo controle de um pequeno arquipélago no Atlântico Sul, as Ilhas Malvinas - conhecidas em inglês como Falklands. O conflito deixou 649 mortos e 1.300 feridos. 
O governo britânico mantém uma base militar nas ilhas, onde se estima que haja 1500 soldados. Em março, alegando o interesse de proteger as ilhas contra ameaças ligadas a um suposto acordo entre Buenos Aires e Moscou para a compra de aviões russos, a Grã-Bretanha anunciou um investimento de 280 milhões de libras, ao longo dos próximos dez anos, para reforçar a defesa da região.
Carolina Cunha
http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/tensoes-na-america-do-sul-instabilidade-nas-fronteiras-da-venezuela-e-acordo-de-paz-na-colombia.htm

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Atualidades - Quatro perguntas para entender violência entre israelenses e palestinos

Uma nova escalada da violência entre israelenses e palestinos nas últimas semanas tem despertado temores de que se inicie uma terceira "intifada" palestina.
Ataques a armas e facas por palestinos mataram sete israelenses e feriram diversos outros nas últimas duas semanas, por conta de rumores de que Israel planejaria tomar o controle da mais simbólica área sagrada de Jerusalém, sagrada tanto para judeus quanto para muçulmanos.
Ao menos 30 palestinos, inclusive os supostos responsáveis por ataques, também morreram, e centenas de outros ficaram feridos.
Israel anunciou o envio de centenas de soldados para reforçar a segurança, e postos de controle foram montados em vilarejos e bairros palestinos em Jerusalém Oriental.
O gabinete de segurança de Israel autorizou a polícia a fechar ou cercar "centros de incitação" em Jerusalém, que casas de palestinos que atacaram israelenses sejam demolidas e nunca mais reconstruídas, e que direitos de familiares de viver na cidade sejam revogados.
Em resposta, a ONG Human Rights Watch queixou-se que o cerco a partes de Jerusalém Ocidental "infringe a liberdade de movimento de todos os moradores palestinos em vez de ser uma resposta adequada a uma preocupação específica".
"Esses postos de checagem são uma receita para assédio e abusos", afirmou em comunicado a direção da ONG.
Veja quatro perguntas para entender a atual onda de violência.

O que está acontecendo?

Desde outubro, palestinos têm realizado uma série de agressões com facas e armas contra israelenses. Em um caso, suspeita-se que um israelense tenha realizado um ataque de vingança.
Os ataques foram realizados em Jerusalém e em cidades do norte e centro de Israel e na Cisjordânia ocupada.
Israel reforçou a segurança e enfrentou manifestantes, o que deixou diversos mortos também no lado palestino.
Episódios de violência também foram registrados dentro da Faixa de Gaza, na região de fronteira com Israel.

O que está por trás da onda de violência?
Após um período de relativa calma, a violência entre israelenses e palestinos vem crescendo desde que confrontos surgiram na região sagrada de Jerusalém em meados de setembro.
O aumento das tensões foi alimentado por boatos, entre palestinos, de que israelenses estariam planejando alterar um acordo religioso sobre a jurisdição da área, sagrada para judeus e muçulmanos.
A região envolve a mesquita Al-Aqsa, conhecida por judeus como Templo do Monte. Israel afirmou que não planeja alterar as regras e que os boatos são uma incitação à violência.
Logo depois, dois israelenses que viajavam com seus quatro filhos foram mortos por palestinos na Cisjordânia. Dois dias depois, os ataques a faca começaram.
Autoridades israelenses e palestinas trocam acusações de não agirem para proteger suas comunidades.
Israel diz que a liderança palestina está incitando os ataques, enquanto o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, atribui a violência a "atos de agressão" dos israelenses e de colonos judeus.

As agressões estão sendo organizadas nas redes sociais?

Não há nenhuma evidência de que haja uma organização central para os ataques, mas palestinos têm usado as redes sociais para celebrá-los e incentivar outras pessoas a realizá-los.
O Hamas, grupo militante islâmico que controla a Faixa de Gaza, publicou um vídeo recentemente no qual mostra como esfaquear judeus. A encenação, com uma música dramática ao fundo, mostra dois personagens judeus xingando crianças árabes. Uma testemunha árabe, então, esfaqueia-os.
O vídeo foi removido do canal do Hamas no YouTube após o Ministério de Relações Exteriores de Israel ter afirmado que celebrava a violência e estimulava mais ataques.
Outras mensagens comemorando e incentivando ataques contra israelenses também foram divulgadas no YouTube e no Facebook, enquanto hashtags no Twitter sobre a violência estão se tornando populares entre palestinos.
Muitos dos ataques ou seus momentos seguintes foram filmados por celulares e câmeras de segurança, e as imagens são rapidamente publicadas na internet e compartilhadas.
Autoridades israelenses temem que imagens dos responsáveis pelos ataques sendo feridos a tiros possa alimentar a raiva e inspirar novos ataques.

Esta é uma nova intifada palestina?

Houve duas intifadas - ou levantes - organizadas por palestinos contra a ocupação de territórios por parte dos israelenses: nos anos 1980 e no início dos anos 2000.
Com o fracasso das negociações de paz, alguns observadores questionam se a atual onda de violência consiste em uma terceira intifada.
Os esfaqueamentos em curso atualmente parecem não ter critérios em comum e serem realizados a esmo.
Apesar de essas agressões terem sido elogiadas nas redes sociais por grupos militantes e partidários da facção laica Fatah, de Abbas, o presidente da ANP disse que palestinos não estão interessados num aumento da tensão.
No entanto, há o risco de que os ataques passem a ser mais frequentes, e grupos militantes passem a organizá-los - saindo do controle de autoridades.

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/151014_orientemedio_violencia_hb


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Atualidades - “As 80 pessoas mais ricas do mundo têm mais dinheiro do que 3,5 bilhões de pessoas”, diz pesquisadora

Em entrevista ao Brasil de Fato, Silvia Ribeiro mostra que, ao contrário do que se pensa, a riqueza mundial cresceu 68% nos últimos dez anos, mas apenas 1% da população acumulou 95% da riqueza gerada.
Nos últimos anos, notícias diárias retratam a grave crise econômica pela qual passa todo o mundo. Ao mesmo tempo, nos chegam notícias sobre recordes de lucratividade de alguns setores. O que explicaria algo que a princípio parece ser contraditório?
Para a pesquisadora Silvia Ribeiro, do Grupo ETC, não há nada paradoxal nesse processo. Ribeiro traz um cenário assustador ao demonstrar que nos últimos dez anos, apenas 1% da sociedade abocanharam 95% da riqueza gerada em todo o mundo.
Em entrevista ao Brasil de Fato, Silvia Ribeiro explica quem são estes 1%, e afirma que estes mesmos setores são os principais responsáveis por uma das mais graves crises mundial: a mudança climática. O campeão dessa crise climática? Toda a cadeia produtiva do agronegócio.
Confira:
Brasil de Fato - Muitos falam que estamos vivendo uma enorme crise econômica mundial, mas ao mesmo tempo vemos lucros cada vez maiores de determinadas empresas. O que explicaria esse paradoxo?
Sílvia Ribeiro - Temos muitas crises. A crise econômica de 2008, a crise ambiental, social e climática. Em relação à crise financeira, alguns grandes grupos econômicos perderam e instituições desaparecem, mas outras se fizeram mais fortes e poderosas comprando estas e outras empresas.
O resgate bancário que se faz com a crise favorece enormemente os bancos muito poderosos, que recebem cifras bilionárias de dinheiro público. Vivemos na maior desigualdade que se conhece na história.
1% da população mais rica do mundo tem 50% da riqueza mundial. Por outro lado, e mais impactante, é que as 80 pessoas mais ricas do planeta tem a mesma quantidade de dinheiro que as 3,5 bilhões de pessoas mais pobres, ou seja, a metade do mundo. 80% de toda humanidade só tem 5,5% da riqueza.
A crise foi manejada pelos Estados para salvar os ricos. Além de dar dinheiro, as empresas tem tudo a seu favor para manipular e capitar novas formas de lucro que são geradas depois da crise.
Ao contrário do que as pessoas pensam, a riqueza mundial cresceu 68% nos últimos 10 anos, mas 95% da riqueza gerada foram apropriadas por apenas 1% da sociedade. O resto da população ficou mais pobre, com trabalho mais precarizado e desempregados. As “pessoas comuns” vivem a crise, mas paradoxalmente a crise foi uma oportunidade para os mais ricos se apropriarem de mais dinheiro e de mais recursos, eliminando concorrências.

E quem são estes 1% mais ricos?
Dados da Revista Fortune mostram que das 100 maiores economias do planeta, 40 são empresas e 60 são países. Ou seja, 40 empresas tem mais dinheiro do que a maioria dos países.
Quando vemos quais são as maiores empresas do mundo, percebemos que a maioria são empresas de energia, sobretudo as petroleiras, de transporte e algumas exceções, como poucas empresas de tecnologia e alguns bancos.
As 12 principais empresas coincidem exatamente com os dados que tem provocado o maior desequilíbrio ambiental global, que é a mudança climática. Trata-se do sistema agroalimentar industrial, da geração e extração de energia e transporte. Esses três setores são os principais causadores da mudança climática.
Porém, das 12 principais empresas, a maior de todas é o supermercado Walmart. Isso nunca havia acontecido. É a primeira vez que o Walmart está em primeiro lugar. É uma empresa de serviços e o maior empregador privado do mundo. E isso tem uma série de significados.
E quais seriam?
O capitalismo tende a concentrar, e um dos setores que mais tiveram concentração foram as empresas agroalimentar. Desapareceram as empresas de sementes, de processamento, e hoje em dia temos 20 empresas que controlam a maior parte do mercado de alimentos, desde a produção de sementes aos supermercados.
Desde 2009, o maior mercado do mundo é o agroalimentar industrial, passando o mercado de energia, que foi o maior durante todo o século 20.
Isso tem a ver com a industrialização da comida, o processo agro alimentar e a expulsão das pessoas do campo. Esse tipo de empreendimento só pode se concentrar em locais com grandes concentrações urbanas.
Além disso, o Walmart significa “Walmartização” do mercado de trabalho. O Walmart proibiu a sindicalização, e as pessoas que trabalham na empresa são sócias, e não empregadas. É uma das empresas que tem maior quantidade de demandas por motivos de discriminação trabalhista, físico, sexual, etc. Nos EUA, por exemplo, a empresa conseguiu baixar o salário de seus funcionários em quase 30%.
Porém, o Walmart tem a imagem do que se pretende o modelo capitalista de consumo, em que nada é fresco e tudo passa por um processamento, de embalagem, refrigeração, etc.
Entretanto, é muito significativo que o Walmart seja a primeira empresa do mundo, porque ele trabalha com algo de que não poderíamos abrir mão na nossa vida: a comida. Não é somente o maior mercado do mundo, mas é essencial por ser um mercado que não pode deixar de existir. Ele se apropria de um setor chave da sociedade, e está na ponta da cadeia agro alimentar.
Hoje em dia temos dois grandes paradigmas do modelo. Um é a Monsanto, e do outro lado está o Walmart. A Monsanto se apropria de todo o início da cadeia, como as sementes - e que agora está tentando comprar a Syngenta, a maior fabricante de agrotóxicos do mundo, o que daria a ela um controle quase total do início da cadeia -, e do outro está o Walmart, que é tão grande que pode colocar condições a todo o resto da cadeia.
Por ser um dos maiores setores do mundo, esse sistema agro alimentar também seria um dos maiores causadores dos problemas ambientais?
A mudança climática é um dos mais graves problemas ambientais do mundo. No último século, já aumentamos 1°C a temperatura média da terra, e a projeção é que aumente de 4°C a 5°C.
Isso é devastador do ponto de vista ambiental e dos impactos que terão sobre o ecossistema e na forma de subsistência da vida humana. Já há dezenas de milhares de migrantes climáticos no mundo, e a Organização Mundial da Migração já disse que a mudança climática será um dos fatores que fará crescer muito o número de migrantes.
A Terra levou bilhões de anos para equilibrar o clima para que existisse vida. Mas nosso sistema econômico e político desequilibrou o clima em apenas 100 anos, a um ponto difícil de controlar. E isso tem a ver, sobretudo, com a emissão de gases de efeito estufa.
Essas emissões são o ponto 1 para entender porque o clima é um paradigma tão importante. Conhece perfeitamente as causas das mudanças climáticas. O IPCC identifica três grandes setores que são os principais: 25% é a extração e produção de energia; o segundo, com 24%, é a agricultura industrial e toda a mudança do uso do solo e o desmatamento, e 14% o transporte.
Porém, a Via Campesina e Grupo ETC, fizemos um trabalho de analisar esses dados de outra maneira. Nos perguntamos: quem usa a energia, quem usa os transportes e porque se produz o desmatamento?
Quase 85% do desmatamento é para a expansão da fronteira agrícola. Ou seja, não se trata apenas de um problema de desmatamento, mas um problema que está vinculado à expansão da fronteira agrícola.
A maioria da emissão de metano, por exemplo, tem a ver com a comida agroindustrial. Na comida dos mercados locais não há embalagens como nos convencionais, ela não vai parar no lixo, mas num composto, se recicla, etc. 75% do corte de árvores no mundo se transforma em embalagens.
Quando começa a identificar quem usa os transportes, as embalagens, quem provoca a deflorestação, vemos que o que está por trás é o sistema alimentar agroindustrial. Da Monsanto ao Walmart. Este sistema provoca entre 44% a 57% dos gases de efeito estufa.
Mas ele não é essencial à vida humana?
O sistema alimentar agroindustrial alimenta apenas 30% da população mundial, mas se utiliza de 75% a 80% das terras agrícolas do mundo, de 70 a 80% da água e dos combustíveis de uso agrícola. Além disso, todas as sementes que se utilizam neste sistema são patenteadas e pertencem a uma empresa. Não há nenhum agrotóxico no planeta que não seja de uma empresa transnacional. As dez maiores empresas tem 95% de todo mercado mundial.
Do outro lado temos um dos melhores exemplos que são as redes de alimentação camponesa, que incluem pescadores, ribeirinhos, hortas urbanas, etc. Este sistema tem apenas 25% da terra agrícola no mundo e alimenta 70% da população mundial, com apenas 30% dos recursos hídricos e 20% dos combustíveis.
Ele não apenas oferece mais alimento, mas se tivesse mais terra - por isso a reforma agrária segue sendo um problema fundamental -, apoios mínimos, poderiam produzir muito mais, já que com as condições tão desfavoráveis, num processo quase de guerra contra os camponeses, se produz tanto.
E o que estas grandes corporações tem dito frente a estas questões?
A única propostas das grandes corporações para a saída da crise climática é o que chamamos de falsas soluções. São soluções tecnológicas muito negativas, como os transgênicos e os agrotóxicos, que eles chamam de “intensificação sustentável”.
São medidas tecnológicas extremamente perigosas e completamente falsas. Um exemplo é o mercado de carbono. Dizem que diminuirão as emissões, mas seguem aumentando o tempo todo. São apenas novos fatores especulativos, que permitem com que os capitalistas privatizem até mesmo o ar.
Ainda que pareça loucura, em lugar de ir às causas do problema, as empresas estão apresentando propostas sobre a manipulação do clima. O efeito estufa, por exemplo, é uma relação entre os gases que formam uma capa e não deixa os raios solares saírem. Para isso há a proposta de se criar nuvens vulcânicas artificiais para tapar os raios de sol para que não cheguem tanto no solo; fazer cultivos transgênicos brilhantes para que reflita o sol, ou branquear as nuvens para refletir o sol.
Se estas propostas forem efetivadas, mudaria os padrões de chuva e vento e a temperatura baixaria, mas as monções na Ásia, por exemplo, perderiam sua intensidade, e mudaria todo o sistema agrícola da região, e ao mudar a precipitação, mudaria os ventos na África.
Outra proposta é como sacar os gases que estão em excesso com meios tecnológicos. A indústria petroleira está propondo em retirar o dióxido de carbono e enterrá-lo a mais de 1.500 metros de profundidade em poços de petróleo e em minas esgotadas. Esse é um dos métodos que irão propor na Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP21), que irá acontecer em dezembro, em Paris.
Isso serve à indústria porque já é uma técnica petroleira. Os poços de petróleo têm 20% a 25% de reservas que não pode ser retirada por estarem tão profundas. Mas com o dióxido de carbono seria possível injetar e empurrar essa reserva para que ela saísse. Apenas não a usavam porque é muito cara.
Porém, poderiam vendê-la como uma solução para o clima. Isso significa que eles estão pedindo aos governos para que paguem as instalações. Os governos não só pagariam as instalações, como as empresas retirariam mais reservas de petróleo e cobrariam créditos de carbono para enterrarem os gases.
Isso levaria a uma nova onda de concentração de terra, e mesmo que fizessem isso em todos os poços do mundo, não seria suficiente para retirar os gases da atmosfera. Além disso, o dióxido de carbono teria que ficar ali para sempre, mas para a empresa não importa se ele sairá dentro de um, dez ou vinte anos. Isso é uma manobra para que eles tenham subsídios, retirem mais petróleo e depois diriam: com isso não foi possível, agora precisamos da Neo Engenharia, que é a manipulação do clima.
Diante desse quadro, quais seriam as alternativas?
Os movimentos sociais têm debatido soluções reais e possíveis a um dos problemas mais graves do planeta, que é a crise climática. Há dez anos a Via Campesina começou a dizer que os camponeses esfriam o planeta. Um dos maiores fatores de absorção do dióxido de carbono são os solos. Imediatamente, os empresários disseram: “vamos comprar solos para absorver o gás”.
Porém, para o que o solo absorva e retenha o dióxido de carbono é preciso que ele seja manejado, o que precisa de gente, e isso só os camponeses podem oferecer. Além do mais, são os camponeses que conhecem, literalmente, milhares variedades de sementes, espécies de plantas, árvores, etc, o que pode dar resposta às mudanças climáticas.
Os movimentos mais vivos da terra são os movimentos que tem a ver com a defesa da cultura, da comunidade, dos territórios e a luta pela terra. Não quero dizer sozinhos resolveriam tudo, claro que precisamos de uma articulação muito mais ampla.
A Via Campesina é o maior movimento da história do mundo, desde a quantidade de gente, números de países e que, ademais, tem um elemento fundamental: não tem apenas soluções, mas já a executam.
Um dos maiores desafios é derrubar mitos: o mito de que a agricultura industrial é quem nos alimenta, e que sem ela não seria possível alimentar o planeta. Não necessitamos de grandes desenvolvimentos industriais e fontes de energia para termos uma boa vida, inclusive a que temos agora, o problema é que não somos nós que estamos usando a maior parte dos recursos, mas sim uma minoria.
http://www.brasildefato.com.br/node/33182

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Atualidades - Metade da riqueza mundial está nas mãos de 1% da população, diz estudo


A desigualdade econômica está aumentando, com metade da riqueza do planeta nas mãos de 1% da população. Isso é o que aponta estudo do banco Credit Suisse.
Segundo o estudo, a desigualdade aumentou continuamente desde 2008. Agora, a porção mais abastada é dona de 50% da riqueza mundial. Em 2014, o índice era de 48,2%. 
Segundo o Credit Suisse, o estudo leva em conta dados da riqueza de 4,8 bilhões de pessoas, a população adulta de mais de 200 países, sem incluir crianças.

É preciso R$ 2,9 milhões para estar no 1%


Para entrar na metade mais rica da população mundial, uma pessoa deve ter US$ 3.210 (R$ 12,4 mil). Com US$ 68,8 mil (R$ 266,2 mil), chega aos 10% mais endinheirados. Para estar no 1%, é preciso mais de US$ 759,9 mil (R$ 2,9 milhões). Segundo o estudo, a riqueza é o conjunto de posses, incluindo dinheiro, imóveis e ações, mas descontando as dívidas.
Cerca de 3,4 bilhões de pessoas, pouco mais de 70% da população adulta mundial, têm menos do que US$ 10 mil (R$ 38,7 mil). Um quinto da população, cerca de 1 bilhão de pessoas, tem entre US$ 10 mil e US$ 100 mil (R$ 387 mil). O restante, 383 milhões de adultos, ou 8% da população, têm mais de US$ 100 mil.
O estudo também apontou que o total da riqueza global caiu para US$ 250 trilhões, depois de atingir US$ 263 trilhões em 2014. 
Além disso, pela primeira vez, a classe média chinesa é maior do que a americana. São 109 milhões de chineses nessa situação, contra 92 milhões de americanos.

http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/10/13/metade-da-riqueza-mundial-esta-nas-maos-de-1-da-populacao-diz-estudo.htm

sábado, 10 de outubro de 2015

Atualidades - Brasil e Colômbia assinam acordos para impulsionar relação

A presidente brasileira Dilma Rousseff e o colombiano Juan Manuel Santos anunciaram nesta sexta-feira uma série de acordos bilaterais que, segundo eles, devem levar os dois países a um novo patamar de relações econômicas e comerciais.
O anúncio foi feito durante uma visita oficial de Dilma a Bogotá. Os acordos envolvem áreas como facilitação de investimentos, comércio de veículos, economia agrícola e pesquisa e educação.
“Estamos no início de um novo caminho (nas relações bilaterais)”, disse Dilma no encerramento de um Fórum de negócios com empresários dos dois países, que coincidiu com a a visita oficial.
Durante a passagem de Dilma por Bogotá, foi acordado que serão estipuladas cotas para que os dois países possam comercializar carros a tarifa zero.
O Brasil poderá exportar 12 mil unidades para a Colômbia neste regime no primeiro ano de vigência do acordo, que tem previsão de oito anos. No segundo, a cota já aumentará para 25 mil, passando a 50 mil a partir do terceiro ano.

Investimentos

Também foi assinado um acordo de promoção e facilitação de investimentos, que prevê mecanismos para a mitigar riscos e prevenir conflitos envolvendo empresas.
Foi o primeiro acordo deste tipo fechado na América do Sul, embora já tenha sido assinado um mecanismo de cooperação semelhante com o México.
Além disso, o Brasil se comprometeu a ajudar o governo colombiano a criar programas e inicitaivas de apoio a agricultura familiar.
“Se tem um pais que fez algo de bom na agroindústria e agricultura familiar, esse pais foi o Brasil”, disse Santos.

Parceria alternativa

Em um momento em que a Argentina e a Venezuela passam por graves dificuldades econômicas, o Brasil parece ver na Colômbia uma alternativa de parceria regional no médio prazo.
“A economia da Colômbia e uma das mais promissoras do nosso canto do mundo”, disse Dilma em Bogotá.
País de política econômica estável, a Colômbia cresceu 4,5% no ano passado e deve crescer perto de 3% este ano na previsão de analistas.
Além disso, o governo colombiano recentemente concordou com a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colímbia (Farc) em chegar a um acordo de paz definitivo em seis meses.
E a perspectiva de um fim do conflito amplia a expectativa de que haja uma melhoria ao ambiente para os negócios no país.
“Se conseguimos assinar a paz, teremos uma serie de oportunidades novas nas quais o Brasil pode participar de forma muito importante”, disse Santos.
Hoje, os ativos das empresas brasileiras na Colômbia somam US$6 bilhões, segundo o Itamaraty. Entre as empresas que atuam no país estão Petrobras, Natura, Votorantim, Gerdau e as construtoras OAS e Odebreccht.
A relação comercial bilateral saltou de US$ 1,5 bilhão em 2004 para mais de US$ 4 bilhões em 2014 – alta de 165%.

Crise brasileira

Durante as 20 horas que passou em Bogotá, Dilma não respondeu perguntas de jornalistas, conseguindo evitar o tema da crise política.
Em um discurso, ela comentou sobre a crise econômica brasileira, argumentando que o processo seria uma “oportunidade” para fazer “reformas estruturantes que permitam à economia brasileira saltar de patamar.”
“Estamos fazendo uma redução do tamanho do Estado. Isso é o que chamamos de tentar usar a crise como oportunidade”, disse Dilma.
“Os ciclos vão existir sempre. Mas temos de fazer que nossas economias sejam mais robustas e mais capazes de transitar por esse período.”

www.bbcbrasil.com.br

Atualidades - QUE ESCONDE A PARCERIA TRANSATLÂNTICA (TTIP)?

O TTIP, TAFTA ou  Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento é um acordo de livre comércio e investimento entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos da América (EUA) que está neste momento em fase de negociações.
UE e EUA juntos, representam 60% do PIB mundial, 33% do comércio mundial de bens e 42% do comércio mundial de serviços.
A Comissão Europeia estima que a PTCI impulsionará a economia da UE em 120 mil milhões de euros, e a economia dos EUA em 90 mil milhões de euros  e no resto do mundo em 100 € mil milhões de euros .
Todavia, os estudos da Comissão baseiam-se em variáveis irrealistas e não tomam em consideração o cálculo do custo-benefício entre os eventuais lucros face ao impacto da harmonização da regulamentação e dos processos de litígio dos investidores contra os Estados.(ver contra-argumentação detalhada aqui)
Mesmo contando com o processo de consulta á sociedade civil, o processo de negociação da Parceria é opaco e anti-democrático, está a decorrer entre empresas e a  UE e EUA, longe da vista dos cidadãos europeus.
A Comissão Europeia aconselha aos Estados uma estratégia de divulgação da PTCI  “radicalmente diferente”  do habitual, “devendo incidir sobre a análise dos aspectos positivos do acordo para cada Estado-Membro”.
Dado o facto de os impostos alfandegários entre UE e EUA já serem baixos, o objectivo das negociações consiste na harmonização de legislação entre UE e EUA.
A harmonização de regulamentação significa harmonizar a regulamentação entre a UE e os EUA no sentido do menor denominador comum, para uma forma de regulamentação mais permissiva.
Para tal, está a ser discutida a criação de um Conselho de Cooperação para a Regulamentação, composto membros não eleitos, que será capaz de criar e substituir  a legislação da UE, dando forma, a um “acordo vivo” continuando a  legislar  para o futuro.
No momento , o objectivo principal é a criação da estrutura da PTCI, todas as medidas que são exigidas pelos intervinientes não serão incluidas no texto do acordo, serão depois discutidas e decididas pelo Conselho de Cooperação para a Regulamentação, por detrás de portas.
A PTCI  incluirá também mecanismos para a resolução de conflitos entre Investidor e Estado, permitindo que as empresas transnacionais processem governos, fora dos seus tribunais nacionais, pela perda de lucros futuros resultantes de acções por parte do governo, como por exemplo, uma nova legislação nacional ,votada de forma democrática.
A contestação contra este tipo de mecanismo tem vindo a aumentar, e vários países já abandonaram este mecanismo, por não ser garantida a imparcialidade dos árbitros, pois além de provirem normalmente de grandes escritórios internacionais de advogados e serem pagos principescamente, não existe um código de ética, podendo estes estar a defender num caso um País e em outro ser o advogado da parte contrária a esse mesmo País, sendo que o número de casos em que a empresa ganha o caso é manifestamente superior ao número de casos em que o país ganha o processo.
Os acordos anteriores demonstram que este mecanismo leva, ou a grandes pagamentos por parte dos países às empresas internacionais ou à dissuasão da actividade legislativa.
O Parlamento Europeu só terá o direito de dizer sim ou não ao acordo , sem possibilidade de efectuar qualquer alteração. A  PTCI poderá entrar em vigor provisoriamente, antes mesmo de os parlamentos dos Estados-Membros a ratificarem.
Todos os dados existentes advém dos comunicados dos lobbies ou de documentos “leakados” por ONG´s . Os pontos referidos abaixo resumem esses dados, considerando alguns casos internacionais de outros acordos, em que os EUA e UE são parte.
Alguns dos impactos da PTCI não são novidade.
Nos países da UE que foram objecto de programas de ajustamento estrutural da TROIKA, tal como Portugal, a maioria das medidas está em vias de , ou  já foi aplicada .
As negociações começaram em Junho de 2013 e prevê-se que o sejam concluidas em meados de 2016.
De acordo com as notícias das negociações, eis o que está em causa para os países da União Europeia  :

PROTECÇÃO AMBIENTAL: Diminuição dos padrões de protecção ambiental.   Autorização da exploração de gás de xisto (fracking) . Venda de produtos com químicos não testados.  Desregulação dos níveis de emissões no sector da aviação.

SEGURANÇA ALIMENTAR: Concorrência agressiva das empresas agroindustriais dos EUA.  Autorização dos Organismos Geneticamente Modificados. Utilização de hormonas de crescimento na carne. Desinfecção de carne com cloro.

EMPREGO: Falsas promessas de um aumento do número de postos de trabalho.  Aumento do desemprego em vários sectores, não estando prevista a atenuação dos efeitos negativos da Parceria.  Diminuição dos Direitos Laborais e salários.  Aumento da precariedade.

SAÚDE: Aumento da duração das patentes dos medicamentos,impossibilitando a venda de genéricos a preços mais acessíveis.  Serviços de emergência poderão ser privatizados.  Venda de produtos com químicos não testados.

LIBERDADE E PRIVACIDADE: Tentativa de ressuscitar a ACTA. Violação da privacidade e liberdade de expressão.  Transformar os fornecedores de internet numa força policial de vigilância privada do sector empresarial.  Bloqueio de projectos de investigação.  Fortalecimento dos Direitos de Propriedade Intelectual.

SERVIÇOS FINANCEIROS: Liberalização e desregulamentação dos serviços financeiros.  Maior participação do sector financeiro no processo legislativo. Maior liberdade na criação de novos produtos financeiros.  Maior facilidade de deslocação dos bancos para países com impostos mais baixos.

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