domingo, 18 de dezembro de 2016

Amapá: a nova fronteira agrícola do país

O Estado do Amapá planta atualmente 14 mil hectares com soja e colhe 38 mil toneladas, números tão pequenos que nem ao menos aparecem nos levantamentos de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mas essa realidade está prestes a mudar. Com a inauguração de um terminal de grãos no porto de Santana, localizado no sudeste do Estado, a região deve atrair investidores interessados em abrir outros 400 mil hectares para a semeadura da oleaginosa na região.
Quando o navio adentrou o porto de Santana na manhã desta quinta-feira (08/09/16), não demorou a receber a sua primeira carga de soja no terminal de grãos recém-inaugurado. Ao todo foram embarcados 25 mil toneladas do cereal, produzidos ali mesmo no estado, montante que representa quase 66% de toda a produção do Amapá da safra 2016/2017, colhida em setembro. “Isso é um marco histórico para o Amapá”, comemora o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Amapá (Aprosoja-AP), Daniel Sebben. “Esse terminal graneleiro representa um divisor de águas na agricultura do Estado.”

Navio no porto de Santana
Sebben conta que a ideia inicial do empreendimento era atender a demanda por transporte portuário dos produtores de soja e milho do Mato Grosso, de Sorriso, Sinop e região Norte do estado. Segundo estimativas realizadas pela Aprosoja-AP a economia no valor do frete destas regiões até o porto de Santana pode superar a casa dos 20%. “Agora boa parte da produção que era exportada pelos portos de Santos e Paranaguá podem vir para o Amapá e gerar uma economia de 20% pelos menos”, reitera Sebben.
O transporte será realizado através da rodovia BR 163 até o município de Itaituba, no Pará e depois segue de balsa pela Hidrovia Tapajós Amazonas até o Porto de Santana. “Além de ajudar os produtores de Mato Grosso, o porto incentivará uma grande expansão da agricultura do Amapá”, afirma o executivo.
Ao que parece esse movimento de expansão já começou, e a perspectiva para a safra de soja 2017/2018, a área passe dos atuais 14 mil hectares para pouco mais de 22 mil. O estado possui aproximadamente 400 mil hectares de cerrado para futuras aberturas e expansão, com outros 600 mil para reserva legal. “São áreas com solo zerado, que precisam ser trabalhados e corrigidos. Entretanto nossa produtividade em áreas novas supera as 40 sacas por hectare”, relembra.
Já a expansão total só deve acontecer em cinco anos, depois da abertura das áreas, adaptação de cultivares para a região e adequação do calendário de plantio. “Estamos estudando adiantar a safra de soja, para produzir duas safras. Hoje, cobrimos a área com braquiária, milheto etc, na primeira safra e só depois colocamos a soja.”, conta ele. “Neste próximo ano já faremos algumas áreas de teste adiantando a soja e vendo como será o desenvolvimento.”

Matéria publicada no site Soja Brasil
http://www.projetosojabrasil.com.br/amapa-a-nova-fronteira-agricola-do-pais/

Geografia do Amapá - Projeto ICOMI

Com a descoberta das jazidas de minério de manganês em Serra do Navio, pelo caboclo Mário Cruz em 1946, o Território do Amapá começou a entrar no gerenciamento econômico pela Empresa, além de ser um marco na história mineralógica do Amapá, é também o referencial da implantação mineralógica na Amazônia e, somente mais tarde na década de 60, foram descobertas as jazidas minerais da Serra dos Carajás.
Com a descoberta do manganês no Amapá, foram apresentadas para a concorrência de exploração desse minério duas empresas americanas, a United States, a Hanna Exploration Company e a empresa brasileira ICOMI.
Mas o governo brasileiro optou pela ICOMI, justificando que como eram jazidas, seria fundamental o desenvolvimento de uma empresa do próprio país. Após vencer a concorrência, o Governo Federal autorizou a concessão da exploração desse minério por um período de 50 anos, de 1953 a 2003.
Segundo Raiol (1992), a Empresa ICOMI do empresário Augusto Trajano de Azevedo Antunes, que após a “celebração do contrato de 6 de dezembro de 1947, alegou ao Governo Federal, que não tinha recursos financeiros para executar o projeto”. “E em 31 de março de 1950 a associação da Empresa americana Bethlhen Steel” (GLYCON DE PAIVA). Azevedo Antunes transformou sua empresa em Sociedade Anônima/AS, ao vender 49% de suas ações para a Bethlehen Steel, uma das mais ricas empresas do ramo de aço dos Estados Unidos.
Naquele momento a indústria siderúrgica americana estava dependente do minério de manganês explorado nos países africanos, que estava se esgotando. A extração do minério de manganês da Serra do Navio, além de resolver o problema da dependência do minério extraído da África, aumentaria o estoque americano num momento em que a indústria bélica necessitava de grande quantidade de aço, devido ao período da Guerra Fria. Diferente da Rússia, que possuía um estoque de manganês que garantia a produção de aço necessário ao desenvolvimento industrial.
Segundo Glycon de Paiva, geólogo do Departamento Nacional de Pesquisas Mineralógicas (DNPM) e membro do Conselho Nacional de Minas e Metalurgia (CNMM) afirma que:
“As jazidas recém-descobertas colocavam o Brasil a cavaleiro no mercado internacional do manganês, podendo estabelecer a venda para a mesma Siderurgia Nacional, estratégias que dela ficaria dependente, que isto era uma vantagem de natureza geopolítica. O que convertia o manganês em verdadeira arma de convertia o manganês em verdadeira arma de soberania nas mãos do Brasil”.
Na realidade o que aconteceu foi diferente, o mercado consumidor de manganês praticamente se reduziu ao mercado americano.
Com a autorização ao governo do Território, a revisão do contrato com a Empresa ICOMI em 31 de março de 1950, pelo Presidente da República Gaspar Dutra, através do Decreto nº 28.162 determinava que houvesse as seguintes cláusulas:
1. Investimento na construção de uma ferrovia Santana/Serra do Navio, com a extensão de 193 km, para transportar operários e escoar minério, devido à inviabilidade de transporte via marítima direto das minas.
2. Exclusividade absoluta dos associados sobre qualquer jazida, que porventura fossem descobertas.
3. Arrendamento de exploração pelos concessionados durante 50 anos (1953 a 2003).
4. O abastecimento da indústria nacional, só poderia se atendido desde que os pedidos de minério fossem avisados com a devida antecedência e respeitados os compromissos contratuais com terceiros. (CUNHA, 1962, p 39)
Em 14 de novembro de 1950, o Congresso Nacional autorizou ao poder Executivo a dar garantia ao tesouro Nacional de um empréstimo externo no valor de 67.500.000 dólares, a ser contraído pela empresa ICOMI (ALUÍSIO, 1988).
E empresa ICOMI ao contrário de muitos empreendimentos, como a Jarí Florestal do empresário norte-americano Daniel Keith Ludwig, que produzia papel e celulose, que não conseguiu grandes lucros, mas foi comprada por Augusto Antunes em 1982.
A Empresa ICOMI teve grande prosperidade e somente começou a decair com o fim da Guerra Fria e o início da exploração de manganês da Serra de Carajás, no Pará.
Segundo (RAIOL, 1992), a Empresa Bethlehen Steel, parceria estrangeira da Empresa ICOMI, retirou-se da associação de 1984, contudo desde 1957 o grupo lavrou cerca de 29 milhões de toneladas de manganês e exportou mais de 25 milhões.
Em dezembro de 1997, a Empresa ICOMI também resolveu encerrar suas atividades, deixando um saldo negativo para o Amapá, pois, além do desemprego, a decadência econômica do município de Serra do Navio, o grande impacto ambiental causado pela empresa entre eles, a contaminação da área portuária de Santana e da Comunidade de Elesbão, com um elemento químico chamado “Arsênio”
Nesse contrato firmado com a Empresa ICOMI, associado com a empresa Bethehen Steel evidenciou-se profundamente perverso para com as necessidades do país e do Amapá, pois além de uma verdadeira afronta à soberania nacional, na medida em que uma empresa estrangeira interessada apenas na acumulação da riqueza. Este contrato se constituiu em uma postura antinacionalista e entreguista, até parece ter sido elaborado pelas próprias empresas, uma vez que lesou sempre os interesses do Brasil.
A cláusula que se refere ao abastecimento da indústria nacional dá com exatidão a marginalização em que o próprio país foi colocado.
As empresas foram embora porque exatamente não havia mais lucro. O buraco que ficou na terra, só quem sente de perto é a sociedade amapaense. Um fosso social da dimensão da miséria que grassa rapidamente, como um fenômeno novo sintetizado pela favelização recente que se processa no Amapá, colocando em xeque o sonho do “El-Dourado” Território Federal do Amapá.

Texto tirado do livro:
MORAIS, Paulo Dias. História do Amapá – O passado é o espelho do presente. Paulo Dias Morais – Macapá; JM Editora Gráfica, 2009. p - 81-85.

Geografia do Amapá - Os projetos de Ludwig

No ano de 1974, Ludwig definiu como seria utilizada a área da Jari na execução de seus projetos, tanto no Estado do Pará, Município de Almeirim, como no então Território Federal do Amapá, Município de Mazagão.
O mapa foi baseado em fotografias aéreas (mosaicos semi-controlados), sendo portanto a escala e as estimativas aproximadas. A medição das áreas foi feita por processo mecânico, através do uso de planímetro polar, também sujeito a variações ou aproximações. Existiu também a dificuldade na foto-interpretação de várias áreas, devido à presença de nuvens nas fotos e a escala de 1:40.000, que provocavam alguns enganos. Nesta avaliação não foram incluídos 57.917 hectares localizados a Oeste do rio Parú, fora portanto do Bloco Jari-Amazonas-Parú, sendo 11.530 hectares da gleba Velha Pobre, próxima à cidade de Almeirim e 46.387 hectares de outras glebas mais ao norte.
Os vários projetos, com as respectivas áreas necessárias para sua execução (excetuando-se as áreas de proteção, estradas, vilas e outras benfeitorias), estão descritas a seguir:
1 - Projeto Florestal
1.1 - Plantações e Pesquisas
Para garantir o suprimento contínuo de madeira para as fábricas de polpa, papel, laminados e serrarias, seriam necessários 200 mil hectares de florestas de Gmelina e Pinus, essências já testadas para estas finalidades. Foi elaborado um plano cuja execução deveria ocorrer em duas fases. Para pesquisa da área florestal, foi considerada uma área de 1% da área com floresta (2.000 hectares), perfazendo 202.000 hectares para a plantação e pesquisa. Não estavam incluídas outras áreas ocupadas com estradas, faixas de proteção, pátios de armazenamento de madeira, alojamentos, etc.
1.2 - Sementeira e Viveiro
A Jari possuia, hoje não se sabe ao certo se ainda existe,  o maior viveiro do mundo, produzindo anualmente de trinta a trinta e cinco milhões de mudas florestais anualmente, sendo em maior quantidade a Gmelina arborea (pertencente à família das berbenáceas) e Pinus caribaea (varieda de hondurensis).
Para a produção de mudas atender ao Projeto Florestal, seriam necessárias as seguintes áreas:
Viveiro para Gmelina
60ha

Viveiro para Pinus
20ha

Viveiro para outras espécies
20ha

Área total de viveiro
100ha


1.3 - Faixas de Proteção
As faixas de proteção da mata nativa, de 100 a 200 metros de largura, seriam situadas entre áreas plantadas com Gmelina ou Pinus. A finalidade era servir de refúgio aos animais, proteger os igarapés e a própria plantação contra incêndios e pragas que porventura surgissem em outras áreas. Foi estimado que entre faixas estreitas e larga a área teria aproximadamente 20 mil hectares.

2 - Pecuária
2.1 - Bovinocultura
Considerando que em 1974 estávamos abatendo 1200 cabeças de gado por mês para a subsistência de 30 mil pessoas, foi previsto que em 1990, com os projetos em fase operacional, teríamos uma população em torno de 80 mil pessoas, demandando o abate de 3200 cabeças mensais, o que totalizaria 38.400 cabeças/ano. A fim suprir esta necessidade, precisaríamos de um rebanho de 100 mil reses. Este rebanho bovino teria suas pastagens entre a floresta de Pinus, assunto que constituirá capítulo à parte neste projeto.
2.2 - Bubalinocultura
A Jari não tinha o mesmo interesse na criação de búfalos, comparada com a criação de bovinos. Porém existiam áreas propícias  para a criação da espécie nas várzeas. Foram previstas áreas suficientes para a criação de 40 mil cabeças de búfalos. Considerava-se também áreas necessárias para matadouro, pocilga (previsto plantel de 5 mil porcos, com abate mensal de 800 animais), currais, marombas, ect, num total de 94 mil hectares, sendo 54 mil hectares no Pará e 40 mil hectares no então Território Federal do Amapá.
2.3 - Animais de serviço (equinos e muares)
Estes animais seriam criados para finalidades diversas, mas a principal seria a de arregimentação de rebanhos.

3 - Projeto Arroz
O projeto previa uma plantação de 14 mil hectares, que poderai ser ampliada, segundo as necessidades nacionais e mundiais. Para este projeto, incluindo a área das vilas de São Raimundo, e ainda depósitos, secadores e diques, a área necessária seria de aproximadamente 20 mil hectares.

4 - Outras Culturas
Outras culturas como o Dendê, Banana etc poderiam ocupar 74 mil hectares de áreas cultiváveis no Amapá. Esta previsão incluía mais de 6 mil hectares de faixas de matas nativa, com 100 a 200 metros de largura, perfazendo um total de 80 mil hectares para estas atividades.

5 - Hortigranjeiros
A fim de abastecer a população das áreas dos projetos com frutas, aves, ovos e verduras, seriam necessários cultivos agrículas e granjas, que ocupariam área aproximada de 1500 hectares, incluindo também instalações como depósitos, abatedouros e galpões para máquinas agrículas.

6 - Área Industrial
Seria necessário uma área de 500 hectares para instalar todas as indústrias de polpa, papel, laminado, serrarias e beneficiamento de caulim, incluindo escritórios, aumoxarifados, depósitos de matéria prima e produtos industrializados, restaurantes, alojamentos, pátio de estocagem de madeira e cavacos, terminais ferroviários etc.

7 - Jazidas de Caulim
Á área ocupada pelas jazidas de Caulim, exploradas pela "Cadam - Caulim da Amazônia", era de 10 mil hectares aproximadamente, incluindo instalações na área denominada "Felipe", no Amapá.

8 - Monte Dourado
Esta cidade, que na época deveria ter 3 mil habitantes, era a sede dos projetos e deveria alcançar no ano de 1990 uma população de aproximadamente 30 mil habitantes. Para comportar toda a infra-estrutura necessária, seriam necessários aproximadamente 1200 hectares. Está área já era efetivamente ocupada com residências, comércios, escolas, hospital, supermercado, igrejas, estação de tratamento d'água, estação de recuperação ou tratamento de rejeito, área de lazer, recreação, clubes etc.

9 - Silvivilas e Vilas
A plantação de 1200 hectares, para ser manejada e administrada racional e eficientemente, seria dividida em 10 blocos de aproximadamente 20 mil hectares cada um. Cada bloco teria seus próprios supervisores e executores. Para abrigar toda a mão-de-obra necessária à execução das operações de manejo desse bloco, deveria existir, de preferência próximo ao seu centro, uma Silvivila. Naquela época já existia duas implantadas, abrigando o pessoal dos respectivos blocos.
Com 750 casas, as Silvivilas abrigariam engenheiros florestais, administradores, assistentes sociais, visitadores sociais, médicos, enfermeiros, capatazes, motoristas, operadores e trabalhadores com suas familias. Nas Silvivilas existiriam escolas, supermercados, centros comunitários, postos médicos, igrejas ecumênicas e comissariado com destacamento policial, além de recreação, praça de esportes, estação de tratamento de água, ecritório florestal e de administração comunitária, posto de lubrificação e abastecimento de veículos e equipamentos motrizes, oficinas para reparos e manutenção dos equipamentos do bloco. Deveria ter também área suficiente para acomodar o centro comunitário, a horta e o pomar. Também as casas teriam que ter quintais que permitissem o cultivo de pequena horta e jardim, e ainda recreação. Foi estimada para cada casa uma área de aproximadamente 500 m². As Silvivilas teriam também área para acúmulo de detritos orgânicos (lagoa séptica). No total cada Silvivila ocuparia área de 60 ha
Nos projetos localizados no Pará haveria dez silvivilas e no Amapá três, totalizando treze silvivilas (*) correspondendo a 780 hectares.
(*) A título de informação de que se tem notícia, existem hoje apenas duas silvivilas funcionando com toda a infra-estrutura mencionada, isso se não fechou ainda.
Em seu conjunto, as áreas para silvivilas totalizariam 1005 hectares.

10 - Vias Terrestres
10.1 - Estradas Principais
As estradas principais da Jari ocupam uma faixa de aproximadamente trinta metros de largura, incluindo acostamento, vala com largura de árvores a árvore, revestidas com carvalho ou piçarra, o que permite o tráfego pesado e contínuo durante todo o ano, a qualquer tipo de veículo. Naquela época eram 600 km (3600 hectares) no Pará e 200km (600 hectares) no Estado do Amapá. No total seriam 1400km de estradas, ou 4200 hectares aproximadamente.
10.2 - Estradas Vecinais
São estradas existentes nas áreas plantadas, dividindo-se em pequenas quadras de aproximadamente 25 hectares. São planejadas e construídas, sempre que possível, na densidade idela de 5km para cada 100 hectares. Dão acesso a qualquer ponto das plantações, com largura média de 6,5 metros. Na época já havia 4 mil km de estradas, o que representava uma área de de 2600 hectares. Quando a empresa atingisse os 274 mil hectares plantados, em ambos os lados (Pará e Amapá), deveriam totalizar cerca de 13850km, correspondentes a 8120 hectares.
10.3 - Estradas Secundárias
São estradas do tipo intermediário entre as principais e as vicinais. Permitem tráfego pesado durante todo o ano, obdecendo a especificações menos rigorosas que a principal. Destinadas ao escoamento da madeira retirada das plantações para os pátios de estocagem ou concentração, ao longo da ferrovia, ou ainda diretamente às fábricas. Seriam construídas à razão de 1 km para cada 60 hectares, com largura de 16 metros, ocupando área de 5333 hectares.
10.4 - Ferrovia
Destinada ao transporte de madeira  dos pátios de concentração para a área industrial, ocupando uma faixa de 50 metros de largura e 220 km de extensão, o que representaria 1100 hectares. Os nove pátios planejados para receber a madeira cortada, cada um com 20 hectares, somariam 180 hectares. Assim, o complexo ferroviário deveria ocupar uma área correspondente a 1300 hectares.
Em números globais, todos os tipos de vias terrestres do projeto somariam 16.733 hectares no Pará e 2310 hectares no Amapá.

11 - Campos de Aviação
Já existiam 3 campos de aviação, que ocupavam área de aproximadamente 220 hectares, incluindo as faixas de aproximação. Outros pequenos campos deveriam ser construídos para o abastecimento de aeronaves agrícolas, de adubos, defensivos agrícolas, socorros urgentes, transporte de cargas e passageiros. No bloco do Pará seriam construídos mais cinco campos (correspondentes a 50 hectares) e no lado do Amapá dois campos (correspondendo a 8 hectares cada, ou seja 16 hectares).
A área total teria dez campos de pouso, ocupando aproximadamente 286 hectares.

12 - Portos e Trapiches
A empresa já possuía três portos em Monte Dourado (correspondendo a aproximadamente 11 hectares), mais três em São Raimundo (com 8 hectares) e um em Saracura (com 1 hectare). Eram sete portos ocupando uma área de 20 hectares no bloco paraense. No Amapá estava prevista a construção de três portos, correspondendo a 5 hectares.
No total seriam 10 portos, em área aproximada de 25 hectares.

13 - Rede Elétrica
Considerando a Hidrelétrica da cachoeira de Santo Antônio, no Rio Jari, seriam necessários aproximadamente 450km de rede de alta tensão para a transmissão de energia. Paralela a esta rede haveria uma faixa de 50 metros sem vegetação alta, que pudesse provocar acidentes. Esta faixa representaria 2250  hectares, sendo 1500 no bloco paraense e 750 no Amapá.

14 - Áreas não Aproveitáveis
14.1 - Pântanos e Igapós
São áreas com vegetação constituída de buritizais e terrenos turfosos. Estimava-se que, dentro da área da Jari, exitissem 100 mil hectares no Pará e 54855 no Amapá.
14.2 - Riachos e Igarapés
Estimava-se uma área de 1200 hectares no Pará e 145 hectares no Amapá.
14.3 - Afloramento de Rochas
A área estimada era de mil hectares no Pará.
14.4 - Áreas com Relevo Acidentado
Estimava-se que existissem 71093 hectares no bloco do Pará e 134 mil hectares no Amapá
O total de áreas não aproveitáveis era de 173.293 hectares no Pará e 183.192 hectares no Amapá, perfazendo um total de 362.488 hectares.
14.5 - Reserva Florestal
Em obediência à lei e por motivo de natureza ecológica, um mínimo de 50% da área permaneceria com cobertura de mata nativa. Isso representaria um total de 817.727 hectares, sendo 493.312 hectares no bloco do Pará e 324.415 hectares no Amapá.

Sumário

DISCRIMINAÇÃO
PARÁ (ha)
AMAPÁ (ha)
TOTAL (ha)
%
1 - Projeto Florestal
222.100
-
222.100
13,608
2 - Pecuária
54.000
40.000
94.000
5,759
3 - Projeto Arroz
20.000
-
20.000
1,225
4 - Outras Culturas
-
80.000
80.000
4,902
5 - Hortigranjeiros
1.500
-
1.500
0,092
6 - Área Industrial
500
-
500
0,031
7 - Jazidas de Cualim
-
10.000
10.000
0,613
8 - Monte Dourado
1.200
-
1.200
0,074
9 - Silvivilas e Vilas
600
405
1.005
0,062
10 - Vias Terrestres
16.733
2.310
19.043
1,167
11 - Campos de Aviação
270
16
286
0,017
12 - Portos e Trapiches
20
5
25
0,001
13 - Rede Elétrica
1.500
750
2.250
0,138
14 - Áreas não Aproveitáveis
173.293
189.192
362.485
22,209
15 - Reserva Florestal
493.312
324.415
817.727
50,102

TOTAL
985.028
647.093
1.632,121
100,000


Fonte:  http://www.geocities.ws/CapeCanaveral/Hall/7530/Projetos.htm